Boa noite a todos!

É com grande satisfação que anuncio mais uma ação revolucionária desse blog:
o preview de contos. A partir de agora, os autores do Carpe Noctem, ao finalizarem um conto, postarão trechos do mesmo, enquanto aguardam o parceiro
da empreitada literário-etílico-noturna ( que tal o nome, sensacional, não?^)
revisar e aprovar o texto para a postagem.

Na primeira edição de nossos aperitivos temos o retorno de nosso primeiro protagonista, Jorge, e suas desventuras e aventuras por São Paulo. Vejam logo abaixo alguns trechos da narrativa que faz grandes revelações sobre nosso herói e até breve. Saudações.
Caio Bezarias

A tarde era luminosa e lânguida, transmitia calma; o calor não era excessivo ou desagradável e uma brisa suave percorria os labirintos de prédios do centro da cidade. Uma atmosfera de harmonia caía sobre tudo, o mundo parecia em ordem e a vida uma promessa de paz, naquela tarde. Mas em um minúsculo apartamento encravado em uma rua da Bela Vista próxima à Brigadeiro Luiz Antonio, arrastava-se pela existência alguém para o qual o mundo era uma tumba e toda aquela luz e calmaria eram apenas mais uma atuação, monótona e insuportável, de um espetáculo deprimente que nem mesmo anunciava algo pior se aproximando, alguma mudança naquele estado tenebroso.

Ela tinha nada menos que um metro e oitenta de altura. Seu corpo era tão perfeito, sedutor e lascivo, que descrevê-lo sem usar de lugares comuns seria uma afronta, eram curvas e mais curvas cheias de volume: cintura minúscula, nádegas grandes, seios volumosos, pontudos e empinados. Ela era deliciosa, enlouquecedora, exigia ser olhada e desejada. Sua pele era bastante morena, o belo tom acobreado, facilmente encontrável nas partes mais profundas do país, que era um dos mais atraentes resultados das seculares misturas entre negros, índios e brancos. O cabelo era liso e grosso, negro como ônix, cobrindo metade das costas.

Durante três horas inteiras eles fizeram sexo, a luz da lua cheia passando pela vidraria do carro como se esta não existisse, banhando-os como se glorificasse a alucinada união carnal. Fizeram de tudo, experimentaram todas as técnicas, posições e ritmos que conheciam. Em nenhum momento ele pensou, utilizou a parte consciente de sua mente, fora dominado por sua porção animal e isso, após tanto tempo de racionalidade hipertrofiada, era algo sem definição ou comparação.
Súbito, em um dos breves intervalos, ela pousou suas mãos nos ombros fortes e volumosos dele e o encarou, em silêncio, o olhar indefinível, por tanto tempo que ele imaginou ter cometido alguma besteira.

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