Por Caio Bezarias
Com revisão de André L. Pavesi

Nós escritores

O prezado leitor já ouviu ou leu que os escritores, ao criarem e conduzirem seus universos ficcionais, sentem-se deuses, seres supremos dos mundos que manipulam? Bem, isso é a verdade pura e bruta. Nós queremos ser e nos sentir deuses, divindades exóticas e perversas que fazem o que bem entendem com os seres que criam, dando-lhes glória ou tormento sem fim, destruindo-os ou elevando-os ao máximo que nossa imaginação puder, apenas pelo prazer de criar histórias envolventes. Mas dos deuses não queremos somente a onipotência: também queremos ter a onisciência que parece tão impossível em uma cidade como São Paulo. Pois ao colher o material que é a base das narrativas de Carpe Noctem, nós, seus autores, também queremos realizar a crônica definitiva da cidade, de suas perdições, excessos e horrores. Enquanto perambulamos, observamos, conversamos, registramos e divagamos, enfim, vivemos, nós buscamos a súmula final, a sabedoria última sobre a “cidade que não pode parar” não importa a que custo, como se pudéssemos absorver e compreender todo acontecimento e segredo que as ruas, becos, prédios, ruínas, monumentos, bares e esquinas e claro, todos os rostos de São Paulo guardam, como se fosse possível dar-lhes uma forma única e coerente e transformá-los em nossa literatura barata.

Já ouviu falar que escritores também são pretensiosos e se acham o máximo?

 

 

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