Por André Luis Pavesi
Com a revisão sempre precisa de Caio Bezarias (e participação especial de Elis Verri na revisão!)

 

O que seria capaz de fazer um imortal de mais de 200 anos correr para sua casa com o rabinho entre as pernas, praticamente se escondendo debaixo da cama, tremendo da cabeça aos pés e choramingando pela benção de uma morte rápida?

Parte I

Pouco depois das onze horas, P.R. Viggo já terminara o trabalho daquela noite, analisando os relatórios online dos mercados de ação asiáticos e europeus e encaminhando por e-mail os assuntos que deveriam ser resolvidos na segunda-feira cedo pelos funcionários da sua corretora. Depois da popularização da internet e dos meios de comunicação digital, sua rotina diária ficou muito mais fácil, bastando meia dúzia de e-mails para orientar seus negócios, e rápidas conference calls substituíam com eficiência os sempre arriscados encontros com Saul Nogueira, seu advogado e braço-direito humano. Por mais que a família de Saul servisse Viggo desde seu renascimento para a noite com extrema lealdade, este distanciamento tornava tudo muito mais seguro.

Ao fechar o notebook, Viggo parou por alguns instantes, olhando a máquina moderna em suas mãos e pensando nas diferenças entre o alto investidor que ele se tornou a partir dos anos 1980 e o moleque que corria pelas montanhas próximas de sua aldeia natal, Villaggio del Salvatore, no final do século XVIII. Ainda saboreando seus pensamentos, abriu a porta dupla de acesso à sacada de sua cobertura, deixando entrar o vento do 27º andar. Saiu para a sacada, sentindo a brisa da noite tocando sua pele e seus cabelos, como se aspirasse a vitalidade noturna paulistana.

Um brilho de orgulho cruzou seu olhar ao se lembrar de como havia se adaptado rapidamente a sua nova condição, abraçando com naturalidade sua existência nas trevas noturnas. Ao contrário de muitos mortos-vivos que gastavam décadas se arrastando por túmulos e catacumbas antes de assumir sua nova vida, em questão de dias Viggo aprendeu a tirar o melhor proveito possível de sua nova condição.

O apartamento atrás de si era um prova cabal de sua capacidade de adaptação. Enquanto alguns desmortos, em busca de uma decadente aura de “bons tempos”, fazem questão de se cercar de móveis antigos e construções antiquadas, lotando casarões com móveis à Luis XVI, cortinas pesadas e tapetes e almofadas cheias de franjas e outras frescuras e com cara de naftalina, Viggo sempre fizera questão de morar com o máximo de conforto e modernidade. Seu apartamento atual, um amplo duplex no alto da Avenida Paulista, era decorado de forma prática e confortável, em linhas modernas com predomínio de superfícies cromadas em contraste com estofados de couro negro, primando pela mais moderna tecnologia, com direito a ambiente climatizado e controles computadorizados de iluminação, equipado com a última palavra em aparelhagem de som e imagem disponíveis no mercado.

Ao longo das décadas, Viggo demonstrara um invejável jogo de cintura quando o assunto era o mundo ao seu redor, sobrevivendo e sobrepujando todas as mudanças sociais. Vira a ascensão e queda de um sem número de regimes políticos e econômicos, sempre sabendo como se situar, a quem oferecer sua amizade e poder, assim como quem deveria evitar. “Estou no topo, no topo do mundo!” – costumava se gabar. Com um sorriso sarcástico nos lábios, relembrou sua chegada ao Brasil no final da década de 70, movido pela certeza de que nas décadas seguintes haveria muito dinheiro e poder para se ganhar, entre especulações e manobras contábeis, no emergente mercado. Ainda encostado no balcão de sua sacada, olhava a noite e desfrutava a lembrança do cuidadoso cerimonial que cercara sua apresentação à belíssima e traiçoeira Angela Santini, a grande matriarca da famiglia paulistana; como um forasteiro em terras novas, cumpriu pacientemente um verdadeiro ritual de cortejamento e aproximação, cheio de rococós e frescuras que Viggo desprezava do fundo da alma, mas que tolerou até ser aceito da forma mais suave possível como mais um ator no gigantesco palco das forças noturnas paulistanas. Não deixava de ser irônico lembrar que alguns anos depois tão bela vampira fora reduzida ao pó por sua sucessora.

No fundo vampiros não são assim tão diferentes dos humanos, obrigações inescapáveis concluídas, chega a hora do prazer. O que, nos planos de Viggo para aquela noite de outono, incluía uma pequena caçada, para obter um pouco de diversão noturna.

No decorrer das décadas, alimentar-se noite após noite tornou-se cada vez menos necessário. A mesma quantidade de sangue que nos primeiros anos como vampiro mal dava para as necessidades de um dia agora parecia capaz de mantê-lo longe da fúria avassaladora da Fome por várias noites. Mas, com a necessidade biológica de sangue sob controle, muitas vezes a motivação da caçada era o prazer de arrancar a vida de um humano tão facilmente quanto um adulto arranca um doce das mãos de um bebê de colo. Para Viggo, que se comprazia em pensar em si mesmo como parte do topo da cadeia alimentar, havia duas formas de prazer noturno – de um lado da moeda o prazer de se fartar no sangue de corpos jovens e saudáveis durante noites encharcadas de volúpia e caricias, do outro lado a caçada brutal e aterrorizante a pessoas ordinárias e desprezíveis, indignas de caminhar no mesmo mundo que ele.

Preparando-se para a jornada noite adentro, Viggo tomou um banho demorado. Uma dos seus confortos favoritos da vida moderna eram os banhos de chuveiro, o que ficava bem claro pelo nível de sofisticação de seu banheiro particular, mantido sempre equipado com o que há de mais moderno para o banho. Mas, em noites como esta Viggo trocava os prazeres de banhos mornos e relaxantes por fortes chuveiradas geladas, como num ritual pessoal para aguçar seus sentidos e despertar seu corpo para a noite.

Após a ducha, vestiu um bem-cortado jeans escuro e uma camiseta de malha leve preta, sem qualquer estampa, calçando confortáveis tênis de cano alto. Qualquer um que o visse poderia confundi-lo com um bem sucedido yuppie. Transformado em vampiro aos 27 anos, ao longo dos séculos desfrutara de sua boa aparência e perfeita forma física, que, aliadas a um olhar sempre atento e penetrante, o tornavam praticamente irresistível para suas suculentas vítimas.

De carro, rodou por um tempo pela cidade, contando com a agitação da noite paulistana para procurar uma vitima. A temperatura estava agradável, garantindo ruas e bares lotados, o que só deixava ainda mais fácil a caçada. Viggo logo percebeu que nesta noite não precisaria recorrer a um michê do Trianon ou a uma das putanas de flat para saciar-se.

Desfilou seu Dodge Viper SRT-10 pelas ruas dos Jardins, descendo em seguida até região da Faria Lima, desfrutando o impacto que seu possante esportivo, negro como a mais densa noite, causava por onde passava. Atrair a atenção e olhares de tantos jovens humanos era sempre uma sensação inebriante, e saber como seria fácil encostar o carro na porta de algum daqueles bares da moda e simplesmente colher quantas jovens quisesse era em si um prazer, mas para esta noite, dedicada à refinada arte da mais absoluta brutalidade, Viggo buscaria suas presas em outra área da cidade.

Rodou mais um tempo, sem pressa, até chegar à região do Baixo Augusta. Parou seu carro num estacionamento de um conhecido flat, reservado permanentemente para seu uso. Seguiu a pé pelas travessas da Augusta, circulando pelas ruas entre jovens barulhentos, desfilando com a desenvoltura e liberdade de um cachorro vira-latas. Gastou quase uma hora, entrando em alguns bares, estudando a aparência de algumas casas noturnas, até encontrar, à porta de um boteco mal frequentado, suas vítimas ideais. Sentados no rodapé da entrada do lugar, uma garota com cara de tenho 17 anos e estou louca pra fazer 18 para ser “de maior”, e dois sujeitos mal encarados, nenhum com cara de mais de 19 ou 20 anos, com pinta de roqueiros de subúrbio, camisetas de bandas com logotipos rabiscados e cabelos desgrenhados, bebiam o que parecia algum tipo de mistura de destilados de baixa qualidade, direto do bico de uma garrafa pet. Alvos escolhidos, aproximou-se a tempo de ver os jovens entrando numa viela, que Viggo sabia que desembocaria num dos característicos escadões do centro. Resolveu segui-los.

Viggo mantinha uma distância segura dos seus alvos, sua cobertura facilitada pelas falhas na iluminação pública paulistana, enquanto o trio seguia pelas ruas da região central, bebendo e fazendo arruaça – chutando lixeiras, atirando latas de cerveja nos muros, enfim, fazendo o que cretinos fazem. Os gritos e atitudes vulgares do trio aumentavam ainda mais a raiva e a sede de sangue de Viggo.

Para certos vampiros, manipular os pensamentos e atitudes dos seres humanos ao seu redor é algo tão fácil e simples que chega a ser banal. O que dirá então se aproximar de um grupo tão patético, convencê-los de que era um novo amigo, e ao longo da noite implantar uma ideia, um destino, na cabeça de moleques imbecis e caindo de bêbados? Com a confiança de quem se sabe no topo da cadeia alimentar e uma desenvoltura invejável, Viggo se aproximou do grupo, não precisando muito mais do que um aceno de cabeça para fazer contato e se enturmar. Pagando bebidas que fingia compartilhar com eles, assumiu rapidamente uma posição de liderança, seduzindo-os com uma conversa rápida e envolvente. Ao conhecê-los, reforçou sua certeza de que escolhera bons alvos. Os dois sujeitos eram conhecidos no seu bairro na periferia da cidade como maus elementos, vivendo de pequenos furtos e de eventuais bicos como “cobradores” da boca de fumo local. A garota não passava de uma dessas biscatinhas que usava de um belo corpo para conseguir favores e bebidas grátis. Com toques sutis e palavras sussurradas ao pé-de-ouvido, deixou a garota tinindo de excitação, ao ponto dela gemer baixinho quando Viggo afastou uma mecha de seu cabelo, sussurrando algo entre presas à orelhinha dela. Os dois sujeitos, parecendo acostumados a ser descartados por sua amiga mais jovem e a se contentar com os restos do final de noite, não ofereceram qualquer problema, assumindo uma postura submissa à liderança do vampiro.

Com algo semelhante a pequenos empurrões mentais – “me sinto como se estivesse tocando gado”, pensou Viggo – o vampiro conduziu o grupo pela região mais decadente da Bela Vista até às portas de um antigo casarão, que durante décadas abrigou o lendário Darkness, uma verdadeira meca para o underground paulistano, um lugar único, especial tanto para os humanos quanto para os imortais e demais criaturas da noite, mas que nos últimos anos estava largado às moscas por conta dos desmandos da prefeitura – embora se comente entre os seres noturnos que há muito mais do que incompetência administrativa, a questão de algumas multas não pagas e alvarás irregulares por trás do fechamento do lugar. Seja como for, mesmo fechado por tábuas e tijolos e tomado por entulhos e sujeira, Viggo não poderia pensar em lugar melhor para barbarizar os dois sujeitos na frente de sua amiguinha, já totalmente seduzida e entregue aos encantos do vampiro.

 

Parte II

 

Para Viggo, que há anos não punha os pés no antigo casarão, era uma visão deprimente. Após forçar a entrada por uma das janelas laterais, o desmorto e suas futuras vítimas se depararam com um ambiente destruído, pó e sujeira recobriam cada pedaço do outrora reluzente piso do hall de entrada e saguão principal do Darkness; no balcão, marcas claras de vandalismo, o tampo de mármore negro quebrado, chegando a faltar alguns pedaços, os vidros e metais do bar estilhaçados e torcidos, batentes de porta e janelas arrancados e destruídos, pichações recobrindo as paredes, nem os antigos candelabros de teto estavam inteiros, marcas de fogueiras feitas por moradores de rua que certamente haviam invadido o casarão aprofundavam ainda mais a impressão de abandono. Com tristeza no olhar, Viggo reparou em algumas latas amassadas pelo chão, e não precisou nem de seus sentidos noturnos para perceber que se tratavam de cachimbos de crack improvisados.

Para espanto do vampiro, os dois moleques não pareciam nem um pouco incomodados com a destruição ao seu redor, muito pelo contrário, pareciam confortáveis naquele ambiente decadente, enquanto sua amiga continuava a olhar avidamente para Viggo. Aquele atitude blasè, ou pior ainda, aquela postura de quem acha normal depredar um lugar tão especial de um jeito tão sórdido aumentaram ainda mais a irritação de Viggo, que teve de se conter para não começar a esmurrar aqueles imbecis nas paredes até virarem pasta de carne e sangue. Não, o castigo deles seria muito pior, mais lento e cuidadoso. Antes que perdesse de vez a calma com eles, Viggo resolveu verificar o estado do piso inferior, onde ficavam a pista de dança, um bar menor, banheiros e um pátio interno a céu aberto.

Descendo as escadas, o cenário parecia mudar da água para o vinho; aparentemente os vândalos que haviam destruído o primeiro piso resolveram por algum motivo poupar os subsolos do Darkness. Usando a luz de isqueiros para iluminar o caminho, conseguia-se entrever as paredes, pilares e escadas, tudo surpreendentemente bem conservado e limpo, quase como se alguém – ou algo – houvesse mantido o lugar em perfeitas condições de uso.

Imerso numa torrente de lembranças, Viggo esqueceu por um tempo dos seus acompanhantes, vagando pelos cômodos do antigo casarão como um fantasma das noites passadas no lugar. Poucas coisas são mais valiosas para um vampiro do que as memórias de seus atos, podendo consumi-lo como um incêndio ou confortá-lo como o fogo de uma lareira bem-cuidada. Para Viggo, simplesmente estar ali despertava uma onda irresistível de boas memórias, de tantas e tantas noites caçando, imerso no próprio rebanho de possíveis vitimas, ao som de músicas inebriantemente estranhas e cativantes. E seus passos o levaram, como tantas e tantas noites no passado, ao seu lugar favorito do Darkness, a varanda superior. Quem estivesse sentado ao redor de suas mesas poderia apreciar o ar da noite sem deixar de acompanhar a movimentação no pátio interno. Infelizmente, novamente o cenário era de destruição gratuita e inconsequente, as mesas de outrora haviam sumido ou sido reduzidas a lascas de madeira, e as belas cadeiras de espaldar alto estavam reduzidas a lenha queimada. Mesmo em meio a tamanha destruição e vandalismo, doces memórias de noites distantes invadiram Viggo. Ao longo de um sem fim de cidades no velho continente e na América do Norte, o desmorto conhecera tantos e tantos lugares, outros portos seguros como o Darkness, outros refúgios onde as criaturas da noite buscavam abrigo e conforto em meio aos notívagos de alma jovem e livre. Mas de todos, por algum motivo que nem mesmo Viggo sabia explicar, o Darkness era único, incomparável.

Subitamente, um grito apavorado cortou os devaneios de Viggo, um grito tão cheio de pavor e histeria que conseguiu arrepiar até mesmo um desmorto experiente como ele. Ao se aproximar do que restava da grade de proteção da varanda, Viggo deu de cara com uma cena que fez gelar seu próprio sangue. De pé, com os rostos voltados para as paredes, os dois rapazes pareciam paralisados, travados como estátuas, cabeça caída pra frente e os braços pendurados, sem força, ao longo dos seus corpos. “Parecem mortos em pé!” – pensou Viggo aterrorizado. Já a garota que os acompanhava estava caída no chão, se contorcendo e gritando de uma forma alucinada. Próximo a ela, uma figura alquebrada segurava uma vela, iluminando um rosto coberto de rugas, roupas surradas recobrindo um corpo idoso. Quem o visse andando nas ruas logo pensaria num idoso, um velho servente ou algum tipo de faxineiro ou serviçal, vestes cinzentas, sem estilo, mas de certa forma antiquadas, quase como um estereótipo dos operários tão comuns no chão de fábricas do início do século XX. Enquanto a garota seguia se retorcendo, seus gritos morrendo aos poucos como se suas forças se esgotassem, Viggo tentou saltar sobre a grade, mas percebeu que estava, assim como os garotos na parede, totalmente paralisado. Por mais que se esforçasse, por maior que fosse sua força de vontade, não conseguia mover um músculo. Tudo que lhe restava era assistir indefeso à cena.

O velho, retorcendo a vela para que os respingos de cera derretida escorressem por sua mão sem cair no chão, afastou-se da garota, e com a mão livre tocou a base das costas de um dos rapazes, que começou a se debater, tremer dos pés à cabeça, tomado pela dor mas sem conseguir gritar. Ao mesmo tempo, Viggo sentiu a mesma dor, intensa e arrasadora, em seu próprio corpo.

E assim se passaram as próximas longas horas até o amanhecer do dia. Os jovens acompanhantes de Viggo, suas supostas vítimas, foram violados brutalmente, submetidos a formas de tortura há muito esquecidas pela humanidade, acabando a noite reduzidos a pilhas disformes de carne, pele e entranhas. Pouco antes do amanhecer, o seu algoz ressurgia, já não mais uma figura alquebrada, mas sim revigorado e rejuvenescido, para calmamente queimar os restos mortais, sem pressa, com um cuidado meticuloso de fazer inveja a relojoeiros suíços. Para arrematar o serviço, assobiava uma milenar canção enquanto observava uma suspeita pancada de chuva lavar o piso do pátio interno, fazendo com que os últimos vestígios dos garotos e da garota escorressem pelo ralo, deixando o pátio interno impecável, como se o sangue dos jovens nunca houvesse tocado suas paredes.

Viggo, ainda preso pela força da criatura por trás do Darkness, tremia e balbuciava palavras ininteligíveis, seus nervos reduzidos a frangalhos após sentir toda a dor infligida aos jovens – o vampiro sentiu em seu próprio corpo, como se estivesse acontecendo com ele mesmo, a dor de cada pedaço de pele rasgado, cada naco de músculo arrancado, cada osso triturado e víscera esmigalhada.

Por um instante, num piscar de olhos, poucos minutos antes de ser atingido pelo sol nascente mortal, Viggo sentiu, pela primeira vez em horas, seu corpo livre, desfalecendo ao chão. Antes que pudesse reunir forças para fugir, pôde ouvir uma voz em sua cabeça, uma voz com o peso dos séculos, que parecia ressoar a partir dos primeiros momentos do homem sobre a Terra.

Viggo passou o resto do final de semana escondido nos esgotos sob a Bela Vista, reunindo forças e principalmente coragem para voltar à superfície, voltar ao seu mundo, sua mente queimando por reconhecer a verdade por trás do Darkness e de seu habitante, uma entidade sobrenatural, mais antiga que a própria civilização, que tem no antigo Casarão seu lugar de louvor, de força e poder; encontrar tal criatura, inimaginável, além dos conceitos e limites humanos e vampíricos, punha abaixo toda a noção de existência de Viggo. O que mais aterrorizou o vampiro foi saber que, nas noites que julgava dominar o Darkness, poderia ter sido facilmente reduzido a farelo de vampiro por algo que se alimentava da própria energia onírica do lugar, daquele mana infinito emanado pelos frequentadores do Darkness em suas noites de som e loucura, assim como em tempos imemoriais costumava se alimentar da energia dos sacrifícios feitos por seus fieis.

Enquanto se arrastava de volta à segurança estilhaçada de sua existência, P.R. Viggo não conseguia tirar uma frase de sua cabeça, como um mantra maldito:

E agora, pequeno sugassangue, continua achando que é o topo da cadeia alimentar?”

 

 

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